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Venezuelanos sem recursos montam acampamento na fronteira brasileira em busca de comida

Sem dinheiro venezuelanos acampam as margens de rodovia na fronteira do Brasil 8216aqui pelo menos temos comida8217

Uma cidade enfrenta um desafio humanitário, com 1,5 mil imigrantes vivendo em situação de rua, representando 22% da população local. Embora haja um abrigo público, ele é exclusivo para imigrantes indígenas. O Governo Federal está implementando um novo abrigo, BV8, na fronteira, com capacidade para 500 pessoas. No acampamento às margens da rodovia, famílias inteiras vivem em estruturas improvisadas, enfrentando as intempéries.

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Angélia Aguilera, 18 anos, chegou recentemente ao Brasil com sua família, fugindo da crise na Venezuela. A história se repete entre muitos venezuelanos que buscam refúgio, devido à falta de trabalho, alimentação e remédios em seu país de origem. O esposo de Angélia largou o emprego em uma empresa multinacional devido à inflação diária, e agora a família busca oportunidades no Brasil, enfrentando dificuldades financeiras, mas agradecendo pela alimentação que conseguem.

Luiz Sereño, 20 anos, também migrou da Venezuela para o Brasil devido à crise econômica e política. Em sua barraca improvisada, ele exibe bandeiras brasileiras como gratidão ao acolhimento que recebeu. Trabalhando como lavador de carros, envia dinheiro para sua filha na Venezuela. A falta de recursos básicos faz com que muitos imigrantes dependam de doações para se alimentar, cozinhando em fogões improvisados.

O Exército Brasileiro registra uma média diária de 416 venezuelanos entrando em Roraima nos últimos meses. Embora não haja dados exatos sobre a população venezuelana na região, estimativas indicam que cerca de 25 mil moram somente na capital, representando 7,5% da população local. A situação de desemprego afeta pelo menos 65% desses imigrantes, que enfrentam desafios diários, inclusive a higiene pessoal precária.

Imigrantes venezuelanos têm sido transportados em voos da Força Aérea Brasileira (FAB) para diversas cidades brasileiras, como São Paulo, Manaus, Cuiabá, Brasília, Rio de Janeiro, Igarassu (PE) e Conde (PB), como parte do processo de interiorização. Esse processo visa distribuir os venezuelanos que recentemente chegaram a Roraima por todo o território nacional.

Um acampamento foi montado às margens da BR-174 para alocar esses imigrantes. A iniciativa de transferência para outros estados busca aliviar a pressão sobre a estrutura local e melhorar a integração dos venezuelanos na sociedade brasileira.